Tudo ou quase tudo tem sempre um segundo sentido, duas visões, dois lados. Um rosto tem duas faces, uma folha tem duas páginas, uma janela tem o lado de dentro e o lado de fora, a lua tanto pode ser nova como cheia, enfim tudo ou quase tudo pode ser visto de dois lados, de dois prismas.
Hoje conversava com uma pessoa que conheci outro dia e a mesma dizia-me que, enquanto para ele a sensação de que a vida passa depressa chega a ser angustiante, para um médico seu amigo, pelo contrário, essa mesma sensação é sinal de saúde. Ou seja, para quem sofre de algum enfermidade, a dor faz com que o tempo pareça que não passa e as horas prolongam-se num dia que mais parece uma eternidade.
Confesso que nunca tinha pensado nesta versão quando digo que o tempo voa. Afinal voa porque tudo está bem, porque quando estamos felizes não há atrito ao tempo e ele corre livre, sem deixar marca. Ao contrário, se algo me preocupa ou me desassossega, sinto que luto contra ele, que nessa altura passa a ser um obstáculo, uma sucessão de dias e horas insuportavelmente longas.
Até o tempo tem duas versões, dois sentidos, tudo depende do lado em que estamos.
Até já.
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