domingo, 4 de fevereiro de 2007

Segundo sentido

Tudo ou quase tudo tem sempre um segundo sentido, duas visões, dois lados. Um rosto tem duas faces, uma folha tem duas páginas, uma janela tem o lado de dentro e o lado de fora, a lua tanto pode ser nova como cheia, enfim tudo ou quase tudo pode ser visto de dois lados, de dois prismas.

Hoje conversava com uma pessoa que conheci outro dia e a mesma dizia-me que, enquanto para ele a sensação de que a vida passa depressa chega a ser angustiante, para um médico seu amigo, pelo contrário, essa mesma sensação é sinal de saúde. Ou seja, para quem sofre de algum enfermidade, a dor faz com que o tempo pareça que não passa e as horas prolongam-se num dia que mais parece uma eternidade.

Confesso que nunca tinha pensado nesta versão quando digo que o tempo voa. Afinal voa porque tudo está bem, porque quando estamos felizes não há atrito ao tempo e ele corre livre, sem deixar marca. Ao contrário, se algo me preocupa ou me desassossega, sinto que luto contra ele, que nessa altura passa a ser um obstáculo, uma sucessão de dias e horas insuportavelmente longas.

Até o tempo tem duas versões, dois sentidos, tudo depende do lado em que estamos.

Até já.

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