domingo, 15 de abril de 2007

Horas de contentamento...

Cheguei por volta das seis e meia da tarde e tu estavas à minha espera logo à saída da porta. Não me agarraste, nem eu esperava que o fizesses, mas envolveste-me com o teu olhar e beijaste-me numa só face doce, demoradamente.

Seguimos para Santarém e no caminho disseste-me: « - gosto muito de estar contigo e soube-me muito bem ir esperar-te ao aeroporto.» Foi o suficiente para me fazeres sorrir durante os 100 quilómetros que fizemos.

Passámos duas noites e um dia inteiro juntos e em todas as horas, a tua presença foi sempre um contentamento difícil de esconder. A forma como me apresentaste todas as flores roliças do teu jardim, as tocas dos coelhinhos rabinos e negros que esburacam todos os canteiros e me mostraste a sala, ainda fazia, onde ficará o piano, encantou-me.

Quando a hora assim o ditou levaste-me para o quarto e abriste a cama onde novamente me fizeste tua. Eu devorei o teu cheiro, arranhei-te a pele, suguei-te a língua e tu finalmente entrelaçaste os teus braços em mim, sufocando-me em beijos intermináveis. Abracei-te com as pernas e quando já todos dormiam e as tuas mãos apertavam as minhas, rolamos pelos lençóis soltos até não suportarmos mais a dor do calor que nos esgotou e nos fez adormecer de seguida, como se tivéssemos sido sempre só os dois.

E depois da segunda noite e de uma madrugada de paixão, o difícil foi acordar, lavar-me de ti num banho que me rouba o teu cheiro, fazer a cama, fechar todas as janelas e partir.

Agora é voltar a contentar-me com o pouco que temos e que no entanto encaixa sem defeitos neste sentimento que cresce e me sabe tão bem. Quanto mais longe, mais perto de ti, meu querido.

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